Da área: você se diz profissional? Dez motivos para “bibliotecário profissional” ser um oxímoro
Ryan Deschamps propõe um desafio: defenda seu títuloRyan Deschampa (Tutor de e-Learning na Biblioteca Pública de Halifax, Nova Escócia) propôs um desafio a todos os bibliotecários: provem que são profissionais.
Em seu blog The Other Librarian, ele lista “Ten Reasons Why ‘Professional librarian’ is an Oxymoron” (reproduzido abaixo), e convida bibliotecários a dizê-lo exatamente “por que essas dez razões são besteira”.
Como ele escreve,
Se bibliotecários não podem pessoalmente endereçar as afirmações anti-profissionais a seguir com indivíduos, eles não podem chamar a si próprios de profissionais. O que estou dizendo é que o MLIS ou o que quer que seja equivalente que um bibliotecário tenha na sua parede não conta como status na sociedade. Cada bibliotecário precisa responder pessoalmente às 10 seguintes coisas para assumir seu statur como profissional.Na próxima semana, Deschamps irá fire back e endereçar sua tese [veja a resposta dele,"(More Than) Ten Reasons Why "Professional librarian" Isn't an Oxymoron" não serem um oxímoro]. Ele também endereçará algumas das respostas que o post gerou em seu site e em outros lugares, incluindo comentários citando Sandy Berman e Nancy Pearl como grandes bibliotecárias, entre outros desacordos.
Mas primeiro, perguntamos à você: por que você se considera um profissional?
Dez motivos para “bibliotecários profissionais” serem um oxímoro
1. Bibliotecários não tem monopólio sobre as atividades que exercemVocê precisa passar pelo exame da OAB pra ser advogado. Você não pode fazer cirurgias a não ser que seja cirurgião. Você não pode construir uma ponte sem um título de engenheiro. A informação é livre. Seu filho de 12 anos pode ensinar a vovó a fazer uma pesquisa no Google.
2. Não existem consequencias em fracassar a aderir a práticas éticas
Apesar do risco de ser considerado não-empregável, um bibliotecário não tem nenhuma obrigação profissional real de aderir a qualquer um dos valores resolvidos pela ALA ou qualquer outro então chamado corpo profissional. Não há nenhum processo de comum acordo para lidar com brechas éticas, nem uma entidade para reportar essas brechas éticas.
3. A biblioteconomia é muito generalizada para exercer qualquer tipo de expertise
O número de livros na área escritos ‘para bibliotecários’ é análogo aos livros escritos ‘para dummies’. A questão é que bibliotecários, ao invés de terem uma área específica de expertise, na verdade precisam de conhecimentos superficiais de uma variedade de coisas – administração, tecnologia, desenvolvimento de comunidades e etc. Enquanto alguém poderia dizer que ser generalista é a própria expertise, existem áreas mais amplas e profundas de estudo como a administração, engenharia e educação que poderiam afirmar o mesmo.
4. O ‘Bibliotecário’ assume um cargo, ao invés do trabalho em si
Apesar de afirmações contrárias, ‘bibliotecário’ vem de ‘biblioteca’ que é o lugar onde estão os livros. Não é uma atividade, mas um produto ou serviço. Ainda, bibliotecários deveriam ser tratados legitimamente como se estivessem providenciando qualquer produto ou serviço.
5. A revisão de pares na biblioteconomia não funciona pois não é processo competitivo para corroborar com isso
O motivo pelo qual a literatura para bibliotecas geralmente é horrível é que bibliotecários são seres colaborativos por natureza. Artigos são aceitos por que eles satisfazem um padrão mínimo, não por que eles representem o melhor e mais a mais brilhante pesquisa no campo. Verdadeiros profissionais são muito mais duros com sua revisão de pares por que eles tem um interesse pessoal em recusar aos competidores o privilégio de serem publicados.
6. Valores não são o suficiente
Valores em comum ocorrem em uma ampla variedade de comunidades, muitas das quais são atividades de leitura. Não há nada associado com os valores dos bibliotecários que difere de qualquer outro grupo de apoio. Bibliotecários não merecem ser recompensados simplesmente por que eles pensam que a informação quer ser livre.
7. A motivação primária para profissionalização é o monopólio de trabalho
A principal motivação para bibliotecários afirmarem seu status profissional é que eles podem reinvidicar a posições melhores e mais bem pagas (“ALA Accredited Degree or Equivalent”) em bibliotecas. Nós não podemos aceitar qualquer reinvidicação de profissionalismo bibliotecário sem evidências objetivas por que há um auto-interesse inerente nessa reinvidicação.
8. Escolas de Biblioteconomia não preparam estudantes para o trabalho em bibliotecas
O processo de criação de bibliotecários ‘profissionais’ foi criticado por muito tempo por sua falta de relevância ao trabalho de biblioteca na vida real. É como dizer que somos o grande espresso-making experts por que entendemos os segredos do design de um saquinho de chá.
9. Profissões que competem estão oferecendo diferentes paradigmas para os mesmos objetivos
Cientistas da Computação e engenheiros estão descobrindo modos de fazer a informação acessível ao público usando algoritmos de busca, design de interfaces e plataformas de mídia social. As práticas de biblioteca atuais estão seguindo seus líderes e não outros modos.
10. Ninguém pode lembrar de um ‘grande’ bibliotecário
Vá a uma universidade típica e peça aos professores para nomearem um grande Doutor (‘Albert Schweitzer’), Arquiteto (‘I. M. Pei’), ou Jurista (‘Johnny Cochran’). Nenhum bibliotecário destaca-se da mesma forma que esses grandes profissionais. Ninguém fora do campo da biblioteconomia irá nomear o Ranganathan.
Aí está. Espero que esses dez itens coloquem um diabinho no ombro esquerdo de cada bibliotecário que se diz profissional sem uma boa dose de crítica para acompanhá-lo. Na realidade, eu acho que esses 10 itens colocam uma responsabilidade especial nos ditos bibliotecários ‘profissionais’ para apresentarem-se e oferecerem um serviço exemplar às suas comunidades. O status de profissional não significa nada no mundo da informação – você precisa fazer por merecer sua titulação.
Tradução livre: Isadora Garrido, Revisão superficial: Fabiano Caruso
Original disponível no Library Journal